Mitos, nuvens e guerra
Entre na arena de Skyworld e enfrente a guerra que os deuses nao conseguiram conter.
Skyworld TCG e um card game de fantasia celestial onde realeza, monstros, piratas e sinais divinos colidem acima das nuvens. Entre no mundo, acompanhe a jornada de Anastacia e leve seu deck para a arena.
- Partidas online direto no navegador
- Decks inspirados em faccoes celestiais
- Saga em capitulos ja disponivel no site
A princesa herdeira descobre que a corrupcao da floresta pode rasgar o reino por dentro.
Entre traicoes politicas, criaturas corrompidas e sinais divinos, Skyworld caminha para a guerra.
Jornada do jogador
Entre no mundo, descubra o conflito e responda ao chamado da arena.
A landing de Skyworld precisa fazer duas coisas ao mesmo tempo: vender o universo e levar o jogador para a acao. Por isso o fluxo da pagina parte da fantasia, passa pela historia e termina no combate.
Despertar
Crie seu perfil, entre no reino e descubra por que os deuses voltaram a olhar para Skyworld.
Escolher seu caminho
Leia os capitulos, mergulhe nas faccoes e entenda quem esta tentando salvar o reino e quem quer rasga-lo.
Subir para a arena
Entre no modo online, selecione seu deck e procure partida para testar sua estrategia nas nuvens.
Faccoes
Dois caminhos de poder disputam o destino do ceu.
Cada deck representa uma visao de mundo. Um lado sustenta ordem, fe e legado. O outro responde com caos, pressao e ferocidade. A guerra de Skyworld nao e so militar. Ela e espiritual, politica e mitica.
Realeza
Ordem, fe e poder coroado.
A corte luta com disciplina, protecao e autoridade sagrada. E o lado de Anastacia, Siao, Elyra e dos que tentam impedir que o reino se parta por dentro.
Piratas
Furia, risco e pressao do abismo.
O mar devolve cada golpe com agressividade e ruptura. Aqui vivem os ataques explosivos, as viradas brutais e a violencia que transforma hesitacao em derrota.
Historia
A queda do reino comecou em silencio e agora avança capitulo por capitulo.
A jornada de Anastacia ja esta publicada no site como uma saga em andamento. Cada capitulo aprofunda o misterio da floresta, a presenca dos deuses e a guerra politica que agora ameaca o proprio trono.
Capitulo 1 Anastacia
Anastacia era a princesa mais velha do reino e, com isso, carregava um peso que nunca escolheu. Desde pequena, foi ensinada que nao existia espaco para erro; cada decisao, cada palavra, cada gesto precisava refletir a forca e a estabilidade do trono.
Mas o reino que ela deveria proteger ja nao era o mesmo. Aos poucos, quase sem que percebessem, tudo comecava a desmoronar, nao por um ataque externo, mas por algo que vinha de dentro. Era como se uma forca invisivel estivesse corroendo o reino por baixo, quebrando suas estruturas e enfraquecendo suas bases. Nobres discutiam entre si, soldados desapareciam sem explicacao, e ate a terra parecia diferente, mais seca e mais silenciosa.
Anastacia sentia isso mais do que qualquer outro. E era justamente por isso que o castelo ja nao lhe fazia bem. Ela precisava sair dali, nem que fosse por um momento, respirar, se afastar daquela tensao constante e colocar a mente no lugar.
Naquela manha, como tantas outras, fez algo que nao fazia ha muito tempo: fechou os olhos, respirou fundo e, em silencio, pediu aos deuses um sinal. Nao uma resposta clara, nao um milagre, apenas um sinal.
Sem esperar por algo imediato, deixou os corredores de pedra sem avisar ninguem. Nao era permitido, nao era prudente, mas isso ja nao importava tanto quanto antes. Pegou Flor, sua pequena companheira, e partiu.
Flor nao era um animal comum. Era um bebe-dragao, um pequeno dragao de pelo branco, macio como neve recem-caida, com olhos grandes e brilhantes que transmitiam uma mistura estranha de inocencia e consciencia. A primeira vista, parecia apenas uma criatura fofa, quase fragil, algo que qualquer um teria vontade de proteger. Mas havia algo em seu olhar, algo antigo, atento, que deixava claro que aquela criatura carregava muito mais do que sua aparencia sugeria.
Anastacia a encontrou anos atras, ainda recem-nascida, escondida entre raizes queimadas de uma floresta destruida. Nunca contou a ninguem. E nunca se separou dela.
A floresta ainda era o unico lugar onde Anastacia conseguia respirar. Ali, longe das paredes do castelo, o ar parecia mais leve. O som das folhas, o cheiro da terra umida, o vento atravessando as arvores, tudo aquilo lembrava um tempo que ela nunca viveu, mas que sentia que deveria existir. Ou que talvez ja tivesse existido.
Era verdade que a propria familia real havia destruido grande parte daquela floresta para expandir o reino, fortalecer suas defesas e crescer. Sempre havia uma justificativa. Mas Anastacia sabia que o preco estava sendo pago. A floresta nao era apenas natureza. Ela era viva. E agora estava sendo consumida.
Flor soltou um pequeno som, puxando a atencao de Anastacia. Algo estava errado. Ela parou. O silencio ao redor nao era natural. Os passaros haviam sumido, o vento havia parado, e ate o ar parecia mais pesado, como se estivesse sendo comprimido por algo invisivel.
Foi entao que ela os viu. Dois ursos. Mas nao eram comuns. Eram grandes demais, com corpos distorcidos, como se algo os tivesse moldado de forma errada. A pele parecia marcada, irregular, e seus olhos nao eram olhos de animais. Eram vazios, escuros, como se algo estivesse olhando atraves deles.
Flor recuou imediatamente, soltando um som baixo, quase um aviso. Anastacia sentiu o coracao acelerar, mas nao era medo, era reconhecimento. Ela ja tinha visto aquilo antes. Nao com clareza, mas em sonhos. Os ursos nao atacaram imediatamente. Eles observaram, como se estivessem avaliando, como se estivessem esperando.
"Voces tambem sentem... nao sentem?", murmurou Anastacia, quase sem perceber que falava.
Um dos ursos avancou, lento e pesado, mas nao como um predador. Era algo diferente. Flor se posicionou a frente de Anastacia, pequena, mas firme. E entao o ar ao redor se distorceu.
Por um instante, Anastacia viu algo alem. Nao a floresta, nao os ursos, mas outra coisa. Como se a realidade tivesse se rasgado por um segundo. E naquele breve momento, ela sentiu. Aquilo nao era natural. Nao era da floresta. Nao era do reino. Era de fora.
O urso avancou de repente, agora rapido, violento, errado. Anastacia puxou Flor e se jogou para o lado enquanto a criatura atingia o chao com forca, abrindo a terra como se fosse fragil demais para suporta-lo. Seu coracao disparava, mas sua mente estava clara.
"Isso nao e um animal..."
O segundo urso soltou um som grave, quase como um eco distorcido, e entao ambos atacaram.
Flor abriu a boca e, pela primeira vez, soltou fogo. Pequeno, instavel, mas real. A chama atingiu o primeiro urso, que recuou, nao de dor, mas como se estivesse reagindo a algo que nao compreendia. E foi nesse momento que Anastacia percebeu. Eles nao estavam ali para cacar. Eles estavam sendo usados. E, em algum lugar, algo estava observando.
Anastacia segurou Flor com mais forca e, pela primeira vez, sentiu medo de verdade. Porque aquilo nao era apenas o comeco de um problema. Era o comeco de algo muito maior.
Capitulo 2 O Sinal
O segundo urso atacou sem aviso, mais rapido e mais violento do que o primeiro, como se algo dentro dele tivesse perdido qualquer controle. Mas, dessa vez, Flor ja estava preparada.
A pequena bebe-dragao avancou um passo a frente de Anastacia, seu corpo ainda pequeno contrastando com a coragem que demonstrava. Sem hesitar, abriu a boca e soltou fogo novamente. A chama, apesar de nao ser grande, carregava uma intensidade inesperada, iluminando a floresta ao redor e atingindo o urso com precisao. A criatura recuou, cambaleou... e entao caiu.
Em poucos segundos, os dois ursos estavam no chao. Anastacia ficou imovel por um instante, surpresa. Ela sempre soube que Flor era especial, mas nunca imaginou que aquela criatura tao pequena e aparentemente fragil fosse capaz de derrubar algo tao grande. Ainda assim... nao foi isso que mais a marcou.
Porque Anastacia nao sentia medo. Mesmo diante daquelas criaturas, mesmo apos o ataque, algo dentro dela dizia para nao fugir, nao correr, nao lutar mais do que ja havia lutado. Havia algo diferente ali, algo que nao encaixava com a ideia de perigo puro. E foi seguindo esse instinto, ou talvez algo ainda mais profundo, que ela deu um passo a frente.
Foi entao que aconteceu.
Duas borboletas surgiram. Delicadas, quase impossiveis de notar no inicio, com asas em tons suaves de rosa que pareciam refletir a luz de forma magica, como se nao pertencessem completamente aquele mundo. Elas voaram com leveza pelo ar pesado da floresta e, sem pressa alguma, pousaram sobre os focinhos dos dois ursos caidos. Anastacia prendeu a respiracao. No mesmo instante... ela soube. Aquele era o sinal.
Assim que as borboletas tocaram os ursos, algo mudou. Nao foi uma transformacao visivel ou violenta. Foi sutil, quase silencioso, mas completamente inegavel. Os corpos tensos relaxaram, a respiracao se estabilizou e, aos poucos, os olhos escuros e vazios comecaram a desaparecer, dando lugar a algo que parecia... consciencia. Os ursos abriram os olhos. Mas nao eram mais os mesmos.
O primeiro se levantou lentamente, ainda confuso, olhando ao redor como se estivesse tentando entender onde estava. O segundo fez o mesmo, observando suas proprias patas, como se estivesse retornando de um lugar distante.
"O que... aconteceu?", disse o primeiro, com uma voz grave, mas agora clara.
Anastacia nao se assustou com o fato de ele falar. De alguma forma... aquilo parecia natural.
"Meu nome e Satobear", continuou ele, ainda atordoado. "E esta e Gili."
O segundo urso assentiu, ainda tentando se recompor.
"Eu... nao lembro de muita coisa", disse Gili, com dificuldade. "So... vozes. Muitas vozes."
Satobear completou:
"Nos estavamos na floresta... e entao ouvimos algo. Como um chamado. Seguimos ate uma caverna."
Gili fechou os olhos por um instante, forcando a memoria.
"Depois disso... tudo ficou escuro."
Anastacia trocou um olhar com Flor. Ela ja sabia. Aquilo nao tinha sido um ataque comum.
E, embora fossem gratos a Anastacia... tambem sabiam de uma coisa com certeza.
"Nao foi o fogo", disse Gili, olhando para Flor com respeito.
Satobear concordou.
"Nao... aquilo nos parou. Mas nao nos trouxe de volta."
Os dois olharam para Anastacia e entao, quase ao mesmo tempo, disseram:
"Foram as borboletas."
Anastacia nao respondeu. Mas, no fundo... sabia que eles estavam certos.
Ela olhou na direcao da floresta, depois para os ursos.
"A caverna...", disse, pensativa. "Foi la que tudo comecou?"
Satobear assentiu lentamente.
"Foi. E, se ainda houver algo la...", ele hesitou, "talvez nao seja seguro voltar."
Gili deu um passo para tras, claramente incomodado.
"Nos nao sabemos o que nos controlou. Nem se ainda esta la...", ela olhou para Anastacia, "ou pior... esperando por nos."
Anastacia permaneceu em silencio por um instante, absorvendo cada palavra. Flor se aproximou, encostando levemente nela, como se sentisse a tensao.
"E se estiver se espalhando?", disse Anastacia, finalmente, com calma. "Se outras criaturas ja estiverem sendo afetadas?"
Satobear franziu o olhar.
"Entao voltar pode ser ainda mais perigoso."
"Ou necessario", respondeu ela.
Gili hesitou, olhando para o caminho de onde vieram.
"Nos quase nao saimos de la...", murmurou. "Nao sei se conseguimos voltar."
Anastacia respirou fundo, mantendo a voz firme.
"Eu nao sei o que vamos encontrar... mas sei que ignorar isso nao e uma opcao."
Houve um silencio.
Pesado.
Decisivo.
Satobear olhou para Gili. Gili sustentou o olhar por alguns segundos... e entao assentiu, ainda insegura.
"Entao vamos juntos", disse ele, voltando-se para Anastacia. "Mas com cuidado."
Eles decidiram voltar ate a caverna. Nao por coragem, mas por necessidade. Algo havia acontecido ali, algo que nao poderia ser ignorado. E, se aquilo estivesse se espalhando pela floresta... nao era apenas um problema deles. Era algo muito maior.
O caminho nao foi silencioso. Havia duvidas, tensao e momentos em que parecia que um deles iria desistir. Mas havia tambem algo que os mantinha seguindo em frente. Ate que elas apareceram novamente.
As duas borboletas.
Dessa vez, nao pousaram. Elas voaram a frente do grupo, lentamente, como se esperassem ser seguidas, guiando-os nao na direcao da caverna, mas por outro caminho, mais fechado, mais escuro, menos evidente.
Satobear parou.
"Esse nao e o caminho."
Gili franziu o olhar.
"A caverna fica na outra direcao."
Anastacia observou as borboletas. Sentiu novamente aquela mesma sensacao de antes. A mesma certeza silenciosa.
"Nao importa", disse ela, com calma. "E esse que devemos seguir."
Os dois ursos trocaram um olhar. Hesitaram. Mas, no fim... confiaram.
Flor deu um pequeno salto a frente, animada, como se reconhecesse algo naquele caminho.
E, sem mais palavras... os quatro seguiram.
Guiados por algo que nao compreendiam.
Mas que, de alguma forma... sabiam que nao estava errado.
Capitulo 3 A Vila Oculta
Satobear e Gili conheciam cada parte daquela floresta. Cresceram ali, viveram ali, e nao havia caminho, trilha ou esconderijo que nao tivessem explorado ao longo dos anos. Mas aquele caminho, aquele que as borboletas indicavam, nenhum deles reconhecia. Era como se nunca tivesse existido. Como se sempre estivesse ali... mas escondido.
No inicio, o caminho era fechado, escuro e apertado. As arvores se inclinavam umas sobre as outras, bloqueando a luz, e o ar parecia mais denso, mais pesado. Havia algo ali que causava desconforto, uma sensacao silenciosa de que estavam entrando em um lugar onde nao deveriam estar.
"Eu nao gosto disso...", murmurou Gili, olhando ao redor. "Esse lugar... nao parece parte da floresta."
Satobear concordou, atento.
"Tambem nao sinto como antes."
Anastacia nao respondeu de imediato. Seus olhos estavam nas borboletas.
"Mas elas continuam nos guiando", disse, com calma.
Flor soltou um pequeno som, como se concordasse.
E eles seguiram.
A medida que avancavam, algo comecou a mudar. O escuro foi dando lugar a tons mais suaves, a luz comecou a atravessar as folhas, e o silencio foi sendo substituido por sons, primeiro leves, depois mais claros, passaros, vento... vida.
"Isso...", disse Satobear, surpreso, "isso nao faz sentido."
"Faz", respondeu Anastacia, sem tirar os olhos do caminho. "So nao entendemos ainda."
As borboletas continuavam a frente, guiando.
E entao, de repente, o caminho se abriu completamente.
Flores de todas as cores surgiam ao redor, o ar estava leve, e pequenas criaturas se moviam entre as folhas com naturalidade. Era como se tivessem atravessado uma fronteira invisivel entre dois mundos.
Foi entao que ela apareceu.
Uma pequena criatura se colocou a frente do grupo. Fofa, delicada... mas firme.
Era uma dudurima.
Ela bateu o cajado no chao com forca.
"Voces nao podem passar", disse, com voz decidida. "Voces atacaram nossa ancia. Devem voltar agora... ou algo pior pode acontecer."
O grupo parou.
"Atacar?", disse Gili, confusa. "Nos nao atacamos ninguem..."
Satobear franziu o olhar.
"Tem algum engano aqui."
Mas Anastacia ja havia entendido.
Os ursos tinham atacado.
So nao lembravam.
Antes que pudessem explicar, outras dudurimas comecaram a surgir ao redor. Pequenas, fofas, quase encantadoras a primeira vista, mas todas armadas com cajados que carregavam uma energia estranha. Apesar da aparencia leve, havia firmeza ali. Protecao. Defesa.
A primeira dudurima bateu o cajado novamente no chao.
"Voltem agora."
Anastacia deu um passo a frente.
Calma. Segura.
"Voces estao com medo", disse ela, com suavidade. "E tem razao. Os animais da floresta estao agressivos... mas nao por vontade propria."
As dudurimas hesitaram.
"Nos nao viemos atacar", continuou ela. "Nos os ajudamos."
A pequena criatura estreitou os olhos.
"Como?"
Satobear deu um passo a frente.
"Nos ouvimos vozes... seguimos ate uma caverna... e depois...", ele hesitou, "nao lembramos de mais nada."
Gili completou:
"Quando voltamos... estavamos assim."
Ela abaixou o olhar.
"Fora de controle."
Anastacia olhou para as borboletas, que ainda pairavam no ar.
"Foram elas", disse, firme.
As dudurimas trocaram olhares.
"Borboletas?", repetiu uma delas, desconfiada.
"Elas nos trouxeram de volta", disse Gili. "Eu... eu senti isso."
O silencio tomou o lugar.
Ate que a primeira dudurima deu um passo a frente.
"Meu nome e Mili", disse ela, agora com menos rigidez. "Se o que dizem for verdade... talvez ainda haja esperanca."
Ela olhou para as outras, que lentamente baixaram os cajados.
"Venham."
Eles seguiram.
E, poucos passos depois, o que viram mudou tudo.
Uma pequena vila surgiu diante deles. Casas simples, mas perfeitamente organizadas, feitas com madeira, folhas e pedras, integradas a propria natureza. Tudo ali parecia vivo, harmonioso, como se nao houvesse separacao entre o que era construido e o que ja existia. Pequenas dudurimas caminhavam pelo local, e todas que viam o grupo paravam por um instante, curiosas, mas respeitosas.
"Eu... nunca vi nada assim", disse Gili, em voz baixa.
Satobear assentiu.
"Nem eu."
Era um lugar encantador.
Um lugar que parecia... intacto.
Mili os conduziu ate o centro da vila.
E la...
estava a ancia.
Ela estava deitada, claramente enfraquecida. Sua respiracao era lenta, seu corpo parecia pesado demais para se sustentar. Havia algo errado... algo que nao era apenas fisico.
Assim que Anastacia se aproximou, a ancia abriu os olhos.
E falou:
"Eu sei... que nao foram voces."
O silencio tomou o lugar.
"Essa energia...", continuou ela, com dificuldade, "esta deixando os animais fora de si. Esta se espalhando. Se nao for detida... nosso vilarejo... e toda a floresta... estarao em perigo."
Anastacia se ajoelhou ao lado dela imediatamente.
"Precisamos curar voce primeiro", disse, firme. "Nao podemos te deixar assim."
A ancia sorriu, fraca.
"Eu ja vivi o suficiente... voces precisam cuidar dos outros."
"Nao", respondeu Anastacia, sem hesitar.
Todos olharam para ela.
"Se voce cair... eles perdem mais do que uma lider. Perdem direcao."
Mili abaixou o olhar.
"Ela esta certa..."
Anastacia entao se aproximou mais, estendeu a mao... e tocou a ancia.
E fechou os olhos.
No mesmo instante...
tudo desapareceu.
A floresta. A vila. Os sons.
Ela estava em outro lugar.
Um espaco claro... infinito. Como se estivesse acima das nuvens. Tudo ao redor era luz. Silencio. Paz.
E entao... alguem surgiu.
Uma presenca impossivel de ignorar.
Anastacia nao precisou perguntar.
Ela sabia, era o deus a quem ela rezava desde pequena.
"Siao...", sussurrou.
Ele se aproximou lentamente.
"Mais do que nunca... precisamos de voce."
Pausa.
"Seu momento chegou."
E, no instante seguinte...
tudo desapareceu.
Anastacia voltou.
Seu corpo perdeu a forca.
E ela caiu.
Desmaiada.
Capitulo 4 A Revelacao
Quando Anastacia acordou, tudo ainda parecia confuso. Sua visao demorou alguns segundos para se ajustar, e a primeira coisa que percebeu foi que nao estava sozinha. Todos estavam ao seu redor, Mili, Satobear, Gili e varias dudurimas. Os rostos carregavam a mesma expressao: preocupacao.
"Ela acordou!", disse Mili, aliviada.
"O que aconteceu?", perguntou Gili, se aproximando. "Voce simplesmente... caiu."
Satobear observava em silencio, atento.
"Voce viu alguma coisa?", completou ele.
Anastacia demorou a responder. Seu coracao ainda batia acelerado. As palavras de Siao ecoavam em sua mente.
"Seu momento chegou."
Ela abriu a boca... mas hesitou.
"Eu...", comecou, mas parou.
Nao sabia o que dizer. Ou talvez... tivesse medo do que aquilo significava.
Antes que pudesse responder, uma voz interrompeu.
"Isso pode esperar."
Todos se viraram.
A ancia estava de pe.
O silencio tomou o ambiente.
Mili levou a mao a boca.
"Ancia... voce..."
Ela nao parecia mais fraca. Sua postura era firme, seu olhar claro. Era como se nunca tivesse estado a beira da morte.
"Eu nunca vi algo assim", disse ela, olhando diretamente para Anastacia. "Fui curada... como em um instante."
Ela deu um passo a frente, ainda observando Anastacia com atencao.
"Esse tipo de poder...", continuou, "nao pertence a este mundo."
Pausa.
"Talvez... apenas aos deuses."
Anastacia abaixou o olhar, desconfortavel.
"Eu nao fiz nada...", murmurou.
A ancia sorriu de leve.
"As vezes... nao escolhemos o que fazemos."
Ela entao olhou ao redor.
"Todos, saiam."
As dudurimas hesitaram.
"Agora", reforcou ela, com firmeza.
Pouco a pouco, todos foram deixando o local. Mili foi a ultima a sair, ainda olhando preocupada para Anastacia.
Quando ficaram sozinhas, o silencio voltou.
A ancia se aproximou lentamente.
"Meu nome e Elyra."
Anastacia ergueu o olhar.
"Eu preciso te contar algo", disse Elyra. "Algo que eu guardei por muito tempo."
Anastacia sentiu o coracao apertar.
"Sobre mim?", perguntou, em voz baixa.
Elyra assentiu.
"Sobre voce... e a bebe-dragao."
"Ha muitos anos", comecou Elyra, "eu encontrei essa criatura na floresta. Pequena, indefesa... sozinha. Eu a trouxe para a vila."
Anastacia arregalou levemente os olhos.
"Voce... encontrou a Flor?"
"Sim", respondeu Elyra. "Mas eu nao fiquei com ela."
Pausa.
"Naquela mesma noite... ele apareceu."
Anastacia prendeu a respiracao.
"Siao."
O nome ecoou no silencio.
"Ele me disse para deixa-la na floresta", continuou Elyra. "Eu nao entendi. Como abandonar uma criatura tao rara... tao especial?"
Ela olhou novamente para Anastacia.
"Mas agora faz sentido."
Pausa.
"Ela nao era minha para proteger."
Anastacia sentiu um arrepio.
"Era para... eu encontra-la?", perguntou, quase sem voz.
Elyra assentiu.
"Sim."
O silencio se aprofundou.
Anastacia respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.
"Voce sabe algo sobre os deuses?", perguntou. "Sobre o que esta acontecendo? Sobre a caverna...?"
Mas, antes que pudesse continuar...
Um estrondo.
Forte.
Violento.
O chao tremeu.
As duas se olharam.
Outro impacto.
Gritos.
"O que foi isso?", disse Anastacia, se levantando rapidamente.
A porta se abriu com forca.
Mili entrou, ofegante.
"Estamos sendo atacados!"
"O que?!", disse Gili, surgindo logo atras.
"Criaturas da floresta... muitas", completou Satobear. "E nao estao normais."
Elyra fechou os olhos por um instante.
"Eles nos encontraram..."
Anastacia sentiu um aperto no peito.
"Eles... me seguiram", disse, percebendo. "Nao estavam atras da vila..."
"Estavam atras de voce", completou Satobear.
Outro impacto.
Mais proximo.
"Precisamos sair daqui", disse Elyra, firme.
"E lutar?", perguntou Gili.
"Nao agora", respondeu a ancia. "Ainda nao."
Ela olhou para Anastacia.
"Voce precisa saber a verdade. E nao aqui."
Sem perder tempo, Elyra virou-se e comecou a correr.
"Venham!"
O grupo a seguiu imediatamente.
Eles atravessaram a vila em meio ao caos. Dudurimas corriam, tentando se defender, enquanto criaturas corrompidas avancavam sem controle. O som de destruicao ecoava por todos os lados.
Flor voava baixo ao lado de Anastacia, inquieta.
"Por aqui!", gritou Elyra.
Ela os guiava com precisao, entrando por caminhos estreitos entre as arvores, trilhas escondidas que apenas alguem como ela poderia conhecer. A cada passo, o som da batalha ficava mais distante.
"Estamos nos afastando", disse Gili, aliviada.
"Ainda nao e suficiente", respondeu Elyra.
Eles continuaram correndo.
Mais fundo.
Mais longe.
Ate que, finalmente, o silencio comecou a voltar.
Todos diminuiram o ritmo, ofegantes.
"Acho que... conseguimos", disse Satobear, respirando pesado.
Anastacia olhou ao redor.
"Estamos longe o bastante?"
Elyra ia responder...
Mas parou.
Seu olhar ficou fixo a frente.
Anastacia seguiu seu olhar.
E entao viu.
Soldados.
Alinhados.
Armaduras reais.
O exercito do reino.
O coracao dela parou por um instante.
E, a frente deles...
estava ele.
Seu pai.
Rei Alfred.
"Anastacia", disse ele, com voz firme. "Finalmente te encontramos."
O silencio caiu como uma lamina.
Ela deu um passo a frente.
"Pai..."
Mas ele nao respondeu.
Seus olhos estavam frios.
"Prendam todos."
Os soldados avancaram.
"Espera!", gritou Anastacia.
Satobear rosnou.
Gili recuou.
Flor se posicionou a frente.
Mas era tarde.
Anastacia foi agarrada.
"Nao!", gritou ela, tentando se soltar.
Alfred se aproximou.
"Voce vem comigo."
Sem resistencia possivel, ele a colocou sobre o cavalo.
"Levem os outros."
"Pai, por favor...!"
Mas ele ja havia virado o rosto.
O cavalo partiu.
E, enquanto a floresta desaparecia atras dela...
Capitulo 5 O Conselho
Anastacia chegou ao castelo ao lado de seu pai, o rei Alfred, mas nao houve alivio naquele retorno. O silencio entre os dois era pesado, quase sufocante. Ele nao olhou para ela, nao perguntou se estava bem, nao quis saber o que havia acontecido. Para ele, tudo se resumia a uma unica coisa: responsabilidade.
Assim que atravessaram os portoes, ele finalmente falou, com a voz firme e fria que todos no reino conheciam.
"Amanha o conselho se reunira. Esteja pronta."
Nada mais.
Sem explicacoes. Sem espaco para resposta.
Antes que Anastacia pudesse dizer qualquer coisa, guardas ja a escoltavam para dentro do castelo. Nao como protecao... mas como vigilancia. Poucos minutos depois, a porta de seu quarto foi trancada atras dela.
E, pela primeira vez desde que tudo comecou... ela estava sozinha.
Sem Flor.
A ausencia da pequena criatura pesou mais do que qualquer palavra. Anastacia caminhou lentamente pelo quarto, tentando organizar os pensamentos, mas sua mente nao parava. Nao sabia onde Flor estava, nem se estava segura. Tambem nao sabia o que havia acontecido com Satobear, Gili, Mili e Elyra. Mas sabia de uma coisa com certeza: precisava tira-los de la.
Ela se aproximou da janela, olhando para o reino que se estendia alem das muralhas. Governar nunca havia sido simples. Desde pequena, foi preparada para aquilo, ensinada a liderar, a decidir, a manter o equilibrio entre poder e justica. Mas, nos ultimos tempos, tudo parecia mais dificil. Era como se o reino estivesse constantemente a beira de algo, algo que ninguem conseguia nomear.
O territorio era dividido entre grandes familias, todas submetidas ao reinado de Alfred. Ou pelo menos... era assim que deveria ser. Na pratica, cada uma lutava por mais influencia, mais poder, mais controle. As tensoes cresciam, acordos eram quebrados, e as guerras, antes pontuais, agora surgiam com frequencia cada vez maior.
E o mais estranho... era que nao havia escassez.
Era uma das epocas mais prosperas do reino. As colheitas eram abundantes, os cofres estavam cheios, e ainda assim... o povo estava cansado. Cansado das guerras. Cansado das ameacas constantes. Cansado das criaturas que surgiam sem explicacao e colocavam tudo em risco.
Alfred era respeitado. Muitos o viam como o rei que trouxe fartura, que fortaleceu o reino como nenhum outro antes dele. Mas ate mesmo isso ja nao era suficiente. A paz... parecia cada vez mais distante.
Anastacia fechou os olhos por um instante.
Algo estava errado.
E nao era apenas politico.
Ela pensou na floresta. Nos ursos. Na caverna. Na energia que corrompia tudo ao redor. E entao... nas palavras de Siao.
"Seu momento chegou."
Ela abriu os olhos.
"O que isso significa...?", murmurou para si mesma.
Mas nao havia resposta.
Apenas a sensacao de que tudo estava conectado.
Na manha seguinte, o conselho decidiria o destino dos prisioneiros. E Anastacia sabia exatamente o que isso significava. Se fossem vistos como ameaca, poderiam ser executados. Se fossem considerados instaveis... poderiam nunca mais ver a liberdade.
Ela respirou fundo, apoiando as maos na janela.
"Eu nao posso deixar isso acontecer", disse, agora mais firme.
Se havia algo que aprendera em todos aqueles anos no castelo, era que decisoes nao eram tomadas apenas com razao. Eram tomadas com estrategia.
E, dessa vez... ela precisaria de uma.
Capitulo 6 O Julgamento
O salao do conselho nunca parecia tao pesado.
As grandes colunas de pedra, que antes transmitiam imponencia, agora pareciam esmagar o ar ao redor. A mesa central, onde os doze conselheiros se reuniam, estava ocupada por olhares duros, maos inquietas e silencios que diziam mais do que palavras. Nao era apenas uma reuniao. Era um confronto.
Anastacia permaneceu em pe, ligeiramente atras do trono, observando. Nao como princesa apenas... mas como alguem que comecava a entender o jogo que estava sendo jogado ali.
O rei Alfred estava sentado, imovel. Seu olhar percorria cada conselheiro com atencao calculada. Ele nao falava. Ainda nao.
"Isso ja foi longe demais", disse Charles, irmao do rei Alfred, batendo a mao na mesa. "Criaturas atacaram nosso povo. Isso e um fato. Nao podemos tratar isso como um incidente isolado."
"Justamente por isso devemos levar a ameaca a serio", respondeu Arthur Raven, com frieza. "E nao fingir que um unico ato muda o que elas sao."
"E tambem e um fato", respondeu outro, inclinando-se para frente, "que essas mesmas criaturas salvaram a vida da princesa."
O murmurio comecou.
"Um unico ato nao apaga o risco que representam."
"Ou talvez prove que nao sao o inimigo."
"Ou talvez seja exatamente isso que querem que acreditemos", disse Arthur Raven, observando cada um a mesa, como se ja soubesse mais do que dizia.
A tensao subiu rapido demais.
Anastacia apertou levemente as maos. Aquilo nao era uma discussao racional. Era medo.
E medo... distorcia tudo.
Foi entao que Leon se levantou.
O movimento foi simples, mas o efeito foi imediato. O salao se aquietou, mesmo que por poucos segundos. Ele nao levantou a voz. Nao precisava.
"Se me permitem", disse, com calma.
Alguns olhares se voltaram com impaciencia. Outros, com expectativa. Leon, marido de Aurora, filha de Charles, apoiou as maos na mesa, observando cada um deles antes de continuar.
"Todos aqui concordamos com uma coisa", comecou ele, "o reino esta sob ameaca."
Ninguem contestou.
"Mas discordamos sobre o que exatamente representa essa ameaca."
Silencio.
"O que aconteceu na floresta nao pode ser ignorado. Nem os ataques... nem o que veio depois."
Ele olhou rapidamente para Anastacia, apenas por um instante.
"As criaturas estavam fora de controle. Sim. Mas tambem foram trazidas de volta. E ajudaram."
"Ajudaram uma unica vez", interrompeu o conselheiro mais velho, com voz firme. "Isso nao muda o fato de que podem voltar a atacar."
Leon nao se abalou. Acostumado a pressao da corte, afinal, era marido de Aurora, ligada diretamente a familia real, manteve o olhar firme.
"E o que muda isso?", respondeu. "Mata-las? Tranca-las? Fingir que entendemos algo que claramente nao entendemos?"
Um leve murmurio percorreu o salao.
"O povo nao quer entender", disse outro conselheiro. "O povo quer seguranca."
"E seguranca baseada no medo nao dura", rebateu Leon, agora mais firme. "Ela apenas adia o problema."
Alfred observava em silencio.
"Voce esta sugerindo que soltemos essas criaturas?", perguntou Arthur Raven, representante de uma das familias mais influentes do reino, com visivel incredulidade.
Leon respirou fundo antes de responder.
"Estou sugerindo que nao tomemos uma decisao baseada apenas no medo."
Pausa.
"Porque, se estivermos errados... nao sera apenas uma criatura que perderemos."
Ele ergueu o olhar.
"Sera o controle do proprio reino."
O silencio que se seguiu foi diferente.
Mais pesado.
Mais perigoso.
Anastacia sentiu aquilo.
Pela primeira vez, alguem nao estava apenas reagindo. Estava pensando.
"Isso e idealismo", disse um dos conselheiros, balancando a cabeca. "E idealismo nao protege cidades."
"Nem decisoes impulsivas", respondeu Leon.
O debate recomecou.
Mais agressivo.
Mais direto.
Acusacoes comecaram a surgir, nao apenas sobre as criaturas, mas sobre o proprio estado do reino. Sobre guerras mal resolvidas, decisoes questionaveis, aliancas frageis. O assunto ja nao era mais apenas os prisioneiros.
Era o poder.
E quem ainda o controlava.
Depois de longos minutos, Alfred finalmente levantou a mao.
O silencio caiu imediatamente.
"Chega."
A palavra foi simples, mas definitiva.
"Vamos votar."
Um a um, os conselheiros declararam suas posicoes.
Alguns com conviccao.
Outros com hesitacao.
Mas todos conscientes do peso daquela decisao.
Anastacia contou em silencio.
Quando terminou...
o resultado era claro.
"Sete votos para manter os prisioneiros detidos", anunciou-se. Entre eles, Arthur Raven, cuja decisao nao passou despercebida por Alfred, que lancou um olhar mais demorado em sua direcao.
Uma pausa.
"Seis pela libertacao."
O salao permaneceu em silencio.
Nao havia vitoria naquele resultado.
Apenas divisao.
Alfred se levantou lentamente.
Seus olhos percorreram o salao mais uma vez, demorando um pouco mais em alguns rostos.
"Entao e isso", disse ele.
Mas havia algo em sua voz.
Algo diferente.
"Nao", continuou, apos um breve silencio, "nao e."
Os olhares se ergueram novamente.
"Esse assunto nao acabou."
Agora, havia surpresa.
"As criaturas ajudaram minha filha", disse ele, firme. "E isso nao pode ser ignorado."
Alguns conselheiros se remexeram.
Outros ficaram imoveis.
"Se existe algo que ainda nao compreendemos...", continuou Alfred, "entao agir como se compreendessemos e um erro."
Ele deu um passo a frente.
"Amanha. Mesma hora. Este conselho voltara a se reunir."
Pausa.
"E, ate la... quero respostas melhores do que medo."
O salao permaneceu em silencio.
Mas nao era mais o mesmo silencio de antes.
Era um silencio rachado.
Instavel.
Perigoso.
Capitulo 7 Confianca
O castelo estava mais silencioso do que o normal.
Nao era o silencio de paz, mas aquele que surge depois de uma decisao dificil, carregado, incomodo, como se ate as paredes aguardassem o que viria a seguir. Anastacia caminhava pelos corredores com passos lentos, ainda sentindo o peso do conselho. As palavras ditas ali continuavam ecoando em sua mente, misturando-se com tudo o que havia visto na floresta.
Ela precisava pensar.
Mas, pela primeira vez... nao sabia por onde comecar.
"Eu imaginei que te encontraria aqui."
A voz veio atras dela.
Anastacia se virou.
Leon se aproximava com calma, sem pressa, como alguem que sabia exatamente onde estava pisando. Nao havia tensao em seu rosto, apenas atencao, e algo mais... preocupacao.
"Voce nao deveria estar descansando?", perguntou ele, parando a poucos passos.
Anastacia soltou um leve suspiro.
"Descansar nao parece uma opcao hoje."
Leon assentiu, como se esperasse essa resposta.
"O conselho foi... pior do que imaginei", continuou ela, cruzando os bracos. "Eles nao estao vendo o que realmente esta acontecendo."
Leon ficou em silencio por um instante antes de responder.
"Eles estao vendo", disse ele, com calma. "So nao querem aceitar."
Anastacia franziu levemente o olhar.
"Aceitar o que?"
Leon a observou com atencao.
"Que nao tem controle."
O silencio caiu entre os dois.
Nao era desconfortavel.
Mas era pesado.
"Voce falou bem hoje", disse Anastacia, apos alguns segundos. "Melhor do que eu conseguiria."
Leon soltou um leve sorriso.
"Eu apenas disse o que precisava ser dito."
"Nem todos tem coragem para isso."
Ele nao respondeu de imediato. Apenas desviou o olhar por um instante, como se pensasse mais do que deveria.
"Coragem...", repetiu ele, em tom baixo. "As vezes nao tem nada a ver com coragem."
Anastacia o observou, tentando entender o que ele quis dizer.
"Entao com o que?"
Leon voltou a olhar para ela.
"Com escolha."
Antes que Anastacia pudesse responder, uma nova voz interrompeu.
"Voces dois parecem mais serios do que o normal."
Aurora surgiu pelo corredor, caminhando com leveza, como se aquele lugar nao carregasse o mesmo peso que o resto do castelo. Seu sorriso quebrou a tensao no ar quase instantaneamente.
"Eu deveria estar preocupada?", perguntou ela, olhando de um para o outro.
"Talvez", respondeu Anastacia, com um leve sorriso.
Aurora se aproximou, parando ao lado de Leon.
"Ou talvez voces dois estejam pensando demais."
Leon olhou para ela, e algo em seu rosto suavizou.
"Voce sempre acha isso."
"Porque quase sempre e verdade", respondeu Aurora, sem hesitar.
O momento, apesar de simples, trouxe algo que Anastacia nao sentia ha algum tempo: leveza.
Mas durou pouco.
Aurora respirou fundo, como se estivesse se preparando para dizer algo.
"Na verdade...", comecou ela, "nos queriamos te contar uma coisa."
Leon lancou um olhar rapido para ela, mas nao a interrompeu.
Anastacia percebeu.
"O que foi?"
Aurora sorriu, dessa vez diferente.
Mais sincero.
Mais vulneravel.
"Nos vamos ter um filho."
O tempo pareceu parar por um instante.
Anastacia arregalou levemente os olhos, surpresa.
"Voce...", comecou, mas sorriu logo em seguida, "isso e... incrivel."
Aurora riu, aliviada.
"Eu estava esperando uma reacao melhor."
"Eu so... nao esperava", respondeu Anastacia. "Mas isso... muda tudo."
Leon permaneceu em silencio, observando as duas.
Mas havia algo ali.
Algo mais contido.
"Muda mesmo", disse Aurora, com suavidade.
E, pela primeira vez, Anastacia sentiu algo alem do caos.
Sentiu que ainda existia algo bom naquele mundo.
E talvez... fosse exatamente por isso que tudo aquilo precisava ser protegido.
Ela respirou fundo.
E, sem perceber...
baixou a guarda.
"Eu preciso da ajuda de voces", disse, finalmente.
Leon levantou o olhar.
Aurora ficou seria.
"Sobre o que?", perguntou ela.
Anastacia hesitou por um segundo.
Mas apenas por um segundo.
"Sobre a floresta."
O silencio voltou.
"O que aconteceu la...", continuou Anastacia, "nao foi um ataque comum. Aquilo... nao era natural."
Leon nao disse nada.
Apenas ouviu.
"As criaturas nao estavam agindo por conta propria", disse ela. "Elas estavam sendo controladas."
Aurora franziu o olhar.
"Controladas?"
Anastacia assentiu.
"E alguem sabe disso."
Ela respirou fundo.
"A ancia... Elyra."
Leon permaneceu imovel.
Mas atento.
"Ela sabe o que esta acontecendo", continuou Anastacia. "Mas nao conseguiu explicar tudo."
Aurora cruzou os bracos, pensativa.
"E voce acha que ela vai falar agora?"
"Eu tenho certeza", respondeu Anastacia. "Mas preciso chegar ate ela."
Leon finalmente falou:
"Ate os prisioneiros."
Anastacia assentiu.
"Eles sao a chave."
Aurora trocou um olhar rapido com Leon.
Rapido demais.
Mas nao passou despercebido.
"Isso e perigoso", disse Aurora.
"Eu sei."
"O conselho nao vai permitir."
"Eu tambem sei."
O silencio se instalou novamente.
"Entao voce quer...", comecou Leon, "que a gente te ajude a chegar ate eles?"
Anastacia olhou diretamente para ele.
"Sim."
Pausa.
"Eu nao tenho mais opcoes."
Leon respirou fundo.
Pensando.
Calculando.
"Eu posso tentar", disse ele, por fim.
Aurora olhou para ele.
"Leon..."
"Se ha algo que possa mudar o que esta acontecendo", continuou ele, "precisamos descobrir."
Anastacia assentiu.
"Obrigada."
Aurora forcou um pequeno sorriso.
Mas nao disse nada.
O momento parecia resolvido.
Simples.
Direto.
Confiavel.
Mas havia algo no ar.
Algo que nao foi dito.
E que ninguem percebeu completamente.
Mas estava la.
Esperando.
Capitulo 8 A Noite da Traicao
A noite caiu sobre o castelo de forma silenciosa, mas diferente do habitual. Nao era o silencio tranquilo que vinha apos um dia longo, e sim algo mais denso, quase incomodo, como se o proprio ar carregasse um aviso que ninguem ainda conseguia entender.
As tochas nos corredores tremulavam com o vento que entrava pelas frestas das janelas, projetando sombras irregulares nas paredes de pedra, e tudo parecia mais lento, mais atento... como se o castelo estivesse esperando por algo.
Anastacia nao conseguiu dormir. Sentada a beira da cama, mantinha os olhos voltados para a janela aberta, enquanto sua mente revisitava cada detalhe do que havia acontecido desde a floresta. Pensava nos ursos, na caverna, nas palavras de Elyra... e, acima de tudo, em Flor. A ausencia da pequena criatura pesava mais do que qualquer outra preocupacao, e aquilo a incomodava profundamente, como se estivesse ignorando algo que nao deveria.
Ela levou a mao ao rosto, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos, mas sem sucesso. Havia pecas demais fora do lugar, e nenhuma resposta parecia suficiente.
Foi entao que um som quebrou o silencio.
Algo distante, abafado, como um impacto seco ecoando pelos corredores mais afastados.
Anastacia ergueu a cabeca imediatamente, o corpo reagindo antes mesmo da mente.
Outro som veio logo em seguida, mais forte, mais claro. Dessa vez nao havia duvida de que algo havia acontecido.
Poucos segundos depois, um grito ecoou pelo castelo.
Ela se levantou no mesmo instante.
Antes que pudesse agir, a porta se abriu com forca.
"Alteza", disse o guarda, visivelmente tenso, "precisamos que venha comigo. Algo aconteceu no conselho."
O coracao de Anastacia acelerou, mas sua expressao permaneceu firme.
"O que exatamente?"
"Um ataque... nos ainda nao sabemos", respondeu ele, ja indicando o caminho.
Ela nao hesitou.
Saiu do quarto imediatamente, seguindo pelo corredor ao lado do guarda. O castelo, que poucas horas antes estava quieto, agora parecia se mover em todas as direcoes ao mesmo tempo. Soldados corriam, portas se abriam, vozes se cruzavam, e ninguem parecia ter uma resposta clara.
"Quem foi atacado?", perguntou Anastacia enquanto apressava o passo.
O guarda hesitou antes de responder.
"Um dos conselheiros."
Isso foi o suficiente para que o silencio tomasse conta dos pensamentos dela.
Quando chegaram ao salao menor do conselho, o ambiente estava tomado por pessoas, mas o que dominava o lugar nao era o barulho... era a tensao. Os presentes falavam baixo, quase em sussurros, como se elevar a voz pudesse tornar tudo mais real.
No centro da sala, no chao de pedra fria, estava o corpo.
Anastacia parou.
Seu olhar demorou apenas um instante para reconhecer.
Arthur Raven.
Imovel, sem reacao, sem vida. Seu rosto ainda carregava uma expressao estranha, como se tivesse sido surpreendido no ultimo segundo, como se nao tivesse tido tempo de reagir.
"Isso nao pode estar acontecendo...", disse alguem ao fundo.
"Dentro do castelo?", respondeu outro, incredulo.
"Estamos sendo atacados..."
Anastacia deu alguns passos a frente, ignorando o murmurio ao redor.
"Quando isso aconteceu?", perguntou, firme.
"Ha poucos minutos", respondeu um dos guardas. "Nao houve luta. Nao houve gritos. Quando encontramos... ja era tarde."
Ela analisou o corpo rapidamente, mas nao havia sinais claros do que havia acontecido.
Nada fazia sentido.
E foi exatamente nesse momento que outro soldado entrou as pressas.
"Majestade!"
Todos se viraram.
"As celas...", disse ele, tentando recuperar o folego, "os prisioneiros... eles desapareceram."
O impacto percorreu o salao como uma onda.
"Desapareceram?", repetiu um conselheiro.
"Isso e impossivel!"
"As portas estavam seladas!"
"Quem autorizou isso?!"
As vozes comecaram a se sobrepor, mas Anastacia ja nao ouvia claramente. Sua mente havia se fixado em um unico ponto.
Flor.
Sem dizer nada, ela se virou.
"Me leve ate la", disse ao guarda.
Eles seguiram imediatamente pelos corredores, agora ainda mais caoticos. Quando chegaram a ala das celas, a cena confirmava o que ja temia. As portas estavam abertas, as correntes jogadas no chao, e nao havia sinal de luta ou arrombamento.
Tudo estava... limpo demais.
Organizado demais.
Errado demais.
Anastacia parou no meio do corredor, olhando ao redor, tentando encontrar algum detalhe que explicasse aquilo.
"Isso nao foi uma fuga", disse, em voz baixa, mas firme.
O guarda ao seu lado a olhou, sem entender.
"Alteza?"
Ela respirou fundo, finalmente encarando a situacao como realmente era.
"Isso foi planejado."
O silencio que se seguiu foi pesado, mas diferente do anterior. Agora havia algo concreto ali.
Uma direcao.
Arthur Raven morto.
Os prisioneiros libertos.
E tudo acontecendo ao mesmo tempo.
Anastacia fechou os olhos por um breve instante, sentindo o peso daquilo se encaixar lentamente em sua mente.
Quando os abriu novamente, sua expressao havia mudado.
"Trancaram as portas... mas abriram o castelo por dentro", murmurou.
Ela voltou a olhar para o corredor vazio, como se esperasse encontrar ali alguma resposta.
Mas nao havia nada.
Apenas a certeza de que aquilo nao era um acaso.
Capitulo 9 O Racho
O castelo amanheceu sob um peso diferente. Nao era apenas luto, nem apenas medo. Era desfianca. Ela estava nas vozes mais baixas dos corredores, nos passos apressados dos guardas, nas portas fechadas antes do habitual e nos olhares que se evitavam por tempo demais. A morte de Arthur Raven nao havia abalado apenas o conselho. Havia atravessado o castelo inteiro como uma lamina invisivel, deixando para tras uma sensacao amarga de que nada, dali em diante, voltaria a ser simples.
Quando o conselho foi convocado novamente, ninguem ousou chegar tarde. Os assentos foram sendo ocupados um a um, mas o ambiente ja nao lembrava a reuniao do dia anterior. Antes havia tensao; agora havia ruptura. Anastacia entrou pouco depois do pai e percebeu imediatamente que ate o ar parecia mais frio. Os conselheiros nao estavam apenas contrariados. Estavam armados de palavras, prontos para culpar, acusar, ferir.
Atras do trono, mantendo a postura rigida que aprendera desde pequena, ela observou cada rosto. Charles estava mais palido do que o normal, mas seus olhos tinham uma dureza incomum. Leon permanecia em silencio, atento, como alguem que sabia que uma unica frase dita no momento errado poderia incendiar ainda mais o salao. E, no lugar que ate a noite anterior pertencia a Arthur Raven, agora havia outra presenca.
James Raven.
Filho de Arthur.
Ele estava de pe ao lado da cadeira do pai, sem pressa para se sentar, como se o simples fato de ocupar aquele espaco ja fosse uma declaracao. Seu rosto ainda carregava a marca do luto, mas nao havia descontrole nele. Nao havia lagrimas. Nao havia tremor. Havia apenas contencao. E era justamente isso que o tornava mais perigoso. Anastacia percebeu no mesmo instante que James nao havia vindo apenas para honrar o nome da familia. Ele havia vindo para marcar territorio.
O rei Alfred tomou seu lugar e percorreu o salao com o olhar. Por um breve momento, pareceu buscar alguma brecha por onde pudesse retomar o controle daquela sala antes que tudo se desfizesse. Mas nao havia. Nao mais.
"Comecemos", disse ele, sem qualquer introducao.
O silencio que veio depois foi curto.
"Com todo o respeito, Vossa Majestade, nao ha como comecar sem nomear o que aconteceu", disse um dos conselheiros, erguendo-se lentamente. "Um homem foi morto dentro do castelo. Um conselheiro. Um Raven."
James nao desviou o olhar.
"Meu pai foi morto sob o teto do rei", disse ele, por fim, a voz baixa, mas firme o bastante para atravessar o salao inteiro. "E, na mesma noite, os prisioneiros desapareceram. Se isso nao exige respostas, entao nao sei mais o que exige."
A frase caiu sobre todos como uma pedra. Alfred manteve a expressao controlada, mas Anastacia viu o momento exato em que seu pai entendeu que ja nao seria apenas questionado. Seria julgado.
"E tera respostas", respondeu o rei, firme. "Mas nao construiremos verdade alguma a partir de acusacoes lancadas pelo medo."
"O medo?", retrucou outro conselheiro. "O medo ja entrou no castelo. O medo ja esta entre nos. O que discutimos aqui nao e mais possibilidade. E fracasso."
O murmurio ao redor aumentou. Algumas vozes concordavam em sussurro. Outras comecavam a se erguer de vez.
"Isso nao foi apenas um ataque", disse Charles, apoiando ambas as maos sobre a mesa. Sua voz nao era alta, mas vinha carregada de uma rigidez incomum. "Foi uma humilhacao. Quem quer que tenha feito isso conhecia nossas fragilidades. Sabia onde tocar."
Alfred voltou o olhar para o irmao.
"Escolha com cuidado as proximas palavras, Charles."
Charles o encarou de volta, e Anastacia sentiu o desconforto crescer no salao. Havia algo pior do que ver o conselho se dividir: ver a propria familia real comecando a se partir diante de todos.
"Estou escolhendo com muito cuidado", respondeu Charles. "Talvez o problema seja que, por tempo demais, todos nos escolhemos o silencio."
Leon finalmente se levantou. E, quando fez isso, o salao pareceu frear por um instante. Havia algo nele que ainda inspirava atencao, talvez por sua calma, talvez por sua habilidade de nao parecer arrastado pelas emocoes como os outros.
"Se continuarmos assim, vamos transformar a morte de Arthur em arma politica antes mesmo de entender o que aconteceu", disse ele. "E isso so beneficia quem causou tudo isso."
James Raven voltou lentamente a cabeca em sua direcao.
"Fala como se soubesse exatamente o que esta em jogo."
Leon sustentou o olhar.
"Sei que um reino dividido e mais facil de derrubar do que um conselho em pe."
"Entao talvez devessemos ter pensado nisso antes de trazer criaturas para dentro do castelo", rebateu um conselheiro a esquerda.
"Elas ja estavam presas quando meu pai morreu", respondeu James, sem levantar a voz. "E mesmo assim desapareceram. Isso significa duas coisas: ou nao sabemos proteger nossas proprias paredes... ou alguem aqui dentro abriu a porta."
A palavra "alguem" mudou tudo. Ate entao, o caos parecia externo, nebuloso, impossivel de tocar. Naquele instante, ele ganhou um lugar dentro da mesa. Dentro do conselho. Dentro da propria coroa.
As reacoes vieram rapidas.
"Esta insinuando traicao?"
"Ele esta dizendo o que todos pensam!"
"Ninguem sai ganhando com acusacoes sem prova!"
"Ninguem mais esta seguro para esperar por provas!"
As vozes comecaram a subir, umas sobre as outras, e logo o salao ja nao parecia um conselho, mas um campo de batalha onde ninguem havia sacado espadas porque as palavras bastavam. Anastacia observou aquilo com um no apertando o peito. Nao havia mais lados nitidos. Havia medo, luto, ambicao e desfianca misturados em proporcoes que ninguem conseguiria controlar.
"Chega", ordenou Alfred, erguendo-se de uma vez.
Por um instante, o salao se calou. Mas nao por respeito. Por calculo. Todos queriam ver o que ele faria.
"Meu dever e manter este reino de pe", continuou o rei, e sua voz agora vinha carregada nao so de autoridade, mas de cansaco. "E farei isso. Com ou sem a paciencia de voces."
"Com ou sem a confianca de voces tambem?", perguntou um conselheiro mais velho, sem esconder o tom cortante.
O silencio seguinte foi pesado, porque aquela pergunta ja nao era provocacao. Era o centro do problema.
Alfred nao respondeu de imediato.
E foi esse atraso que abriu a fissura final.
"Meu pai esta morto. Os prisioneiros desapareceram. O castelo esta comprometido. E ainda assim o conselho continua sendo conduzido como se estivessemos discutindo colheitas e impostos", disse James Raven, agora avancando um passo. "Isso nao e estabilidade, Majestade. Isso e negacao."
O rosto de Alfred endureceu.
"Cuidado, James."
"Nao me peca cuidado quando o sangue do meu pai ainda esta no chao desta coroa", respondeu ele.
Foi o suficiente.
Um conselheiro se levantou. Depois outro. Depois outro. Nao houve anuncio, nao houve voto, nao houve cerimonia. Houve ruptura pura. Seis conselheiros, um apos o outro, abandonaram seus lugares. Alguns em silencio. Outros deixando claro, com o modo como empurravam as cadeiras para tras, que aquela saida nao era temporaria.
Charles demorou um instante a mais. Olhou para Alfred, depois para Anastacia, depois para a porta.
"Se este conselho nao consegue proteger os seus... entao nao pode mais pedir obediencia como se ainda tivesse o mesmo peso", disse ele, antes de se afastar.
Anastacia sentiu aquilo como um golpe real. Ver Charles sair nao era apenas uma perda politica. Era a confirmacao publica de que a rachadura havia alcancado o sangue da propria familia.
James Raven foi o ultimo entre eles. Parou antes da saida e voltou-se uma vez mais para o rei.
"A partir de hoje, o nome Raven nao respondera por decisoes tomadas nesta mesa enquanto ela estiver cega para o que esta acontecendo."
E entao saiu.
As portas se fecharam atras deles com um som seco, final, irreversivel.
O salao ficou em silencio.
Mas agora era um silencio diferente dos outros dias. Nao era tensao antes da explosao. Era o vazio depois dela.
Alfred permaneceu de pe, imovel, como se ainda olhasse para uma estrutura que ja havia desabado. Os conselheiros que permaneceram evitavam se encarar. Leon ainda estava ali. Alguns poucos outros tambem. Mas ninguem precisava dizer em voz alta o que aquilo significava.
O conselho havia sido quebrado.
E, com ele, o reino tambem comecava a se partir.
Anastacia olhou para o pai e, pela primeira vez, nao viu apenas o rei. Viu um homem cercado por um poder que ja nao obedecia como antes. Viu a coroa ainda sobre sua cabeca, mas sentiu que ela pesava mais do que nunca. Do lado de fora daquelas paredes, o povo ainda nao sabia de nada. Mas saberia. Rumores corriam mais rapido que mensageiros, e quando a noticia se espalhasse, nao haveria como impedir o que viria a seguir.
Aquilo nao era mais um problema do conselho.
Era o comeco de uma guerra politica.
E o pior nao era que o reino estivesse prestes a enfrentar inimigos.
O pior era que, a partir daquele momento, comecaria a enfrentar a si mesmo.
Entre no ceu de Skyworld
Leia a profecia, escolha seu deck e decida quem sobrevive quando o reino rachar de vez.
A historia ja comecou, a arena ja esta aberta e o mundo ja tem rosto, simbolo e conflito. O proximo passo e fazer o jogador entrar e querer ficar.